DOENÇA DE GAUCHER

DOENÇA DE GAUCHER


  • O que é

Doença caracterizada pela deficiência da enzima glicocerebrosidase (também designada como beta-glicosidase ácida), que é necessária para a decomposição de uma substância gorda chamada glicosilceramida (ou GL-1) que se acumula nos macrófagos (um tipo de glóbulos brancos). Ao não dispor daquela enzima em quantidades suficientes para fazer o trabalho de decomposição, a GL-1 acumula-se nos lisossomas, provocando um aumento do tamanho das células – que se denominam células de Gaucher. Estas células encontram-se sobretudo no fígado, baço, pulmão, medula óssea, entre outros.

  • Quem é afetado

Entre as doenças de sobrecarga lisossomal, a doença de Gaucher é a mais frequente e afeta de igual forma homens e mulheres, sendo transmitida de pais para filhos. Para que a doença se manifeste é preciso que os genes que se herdaram tanto da mãe como do pai tenham a mutação responsável pela deficiência (doença autossómica recessiva). A incidência (surgimento de novos casos) do tipo mais comum da doença de Gaucher (tipo 1) na população geral da Europa e Estados Unidos da América é de um caso em 40 a 60 mil pessoas. A incidência é superior em judeus Asquenazes.

  • Sintomas

A forma de manifestação desta doença varia de pessoa para pessoa, sendo que nalguns casos os sintomas revelam-se logo após o nascimento, mas noutros só se manifestam na idade adulta. Entre os problemas iniciais mais frequentes destacam-se o abdómen aumentado (porque o baço e o fígado ficam maiores), dores nos ossos, cansaço, hemorragias frequentes e hematomas.

  • Classificação

A doença de Gaucher é classificada em três tipos:

Tipo 1 ou forma não-neuropática – É a forma mais comum nos países ocidentais e caracteriza-se por alterações no sangue (redução do número de glóbulos vermelhos ou de plaquetas), que podem estar na origem de hemorragias frequentes, aumento do volume do baço (pode ficar 10 a 20 vezes maior do que o normal), aumento do volume do fígado, alterações respiratórias (quando as células de Gaucher se acumulam nos pulmões) e problemas ósseos responsáveis por fraturas habituais e grande perda de autonomia. Não acarreta alterações do sistema nervoso central e responde bem aos medicamentos disponíveis.

Tipo 2 ou forma neuropática aguda  – É um tipo da doença de Gaucher raro e muito grave, manifesta-se cedo e é habitualmente fatal nos primeiros dois anos de vida. Não responde aos tratamentos existentes, já que os danos cerebrais são graves e irreversíveis.

Tipo 3 ou forma neuropática crónica  – Em termos de gravidade, situa-se entre os tipos 1 e 2, causando os mesmos sintomas que o tipo 1, a que se junta algum compromisso neurológico. A esperança de vida é relativamente curta, mas alguns doentes vivem até mais tarde, caso haja resposta aos medicamentos disponíveis.

  • Tratamento

Existem dois tratamentos disponíveis para a doença de Gaucher: a terapêutica de substituição enzimática (TSE), que fornece aos doentes a quantidade necessária da enzima em falta para ajudar a remover a substância gorda que se acumula nas células (primeiro tratamento disponível para a doença de Gaucher); e a terapêutica de redução de substrato (TRS), que reduz a produção de GL-1 pelas células, evitando a sua acumulação (tratamento oral disponível mais recentemente). A TSE é indicada para as pessoas com os tipos 1 e 3 da doença e a TRS está indicada para o tratamento de adultos com doença Gaucher tipo 1. É muito importante que os doentes comecem a ser tratados antes do aparecimento de sequelas irreversíveis, já que estas não são tratáveis com as terapêuticas existentes.

  • Referências:

Orphanet – LINK
Gaucher – Aprender sobre a doença de Gaucher – LINK
National Gaucher Foundation – LINK
Associação Nacional dos Portadores da Doença de Gaucher e outras Doenças Raras (ANPDG) – LINK
Brain Foundation – LINK
Cambridge University Hospitals – LINK
National Institute of Neurological Disorders and Stroke – LINK